"- ... Depois de muito rodar, parei naquela praça.
- Mas porque justamente aquela praça? - perguntou ele.
- Aquela praça tem gosto de coisas que não voltam mais, como as lágrimas.
- Mas você estava chorando?
- O peito chora quando não sabe mais o que fazer pra voltar a bater."
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"- Em cada corpo, eu acreditava encontrar um pedaço de mim. Busquei incessantemente. Mergulhava em copos sujos, marcados por mãos suadas e terminava a noite no ritmo frenético dos amantes.
- E você era feliz?
- Não sei, hoje sou?"
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"- Quer falar um pouco do que sente?
- Não.
- Quer que eu te faça rir, contando casos ou dizendo que tudo vai ficar bem?
- Não.
- Quer que eu te abraçe e diga que entendo o que você sente?
- Não.
- Quer que eu vá embora?
- Não. Só não me deixe aqui sozinha..."
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"Ele ouvia calmamente enquanto ela contava.
- ... e no final da carta, ela disse que não me abandonaria nunca. Agora ela está noiva, não faz sentido.
- E você acreditou?
- Acreditei.
- Quantas vezes você também já disse isso para alguém?
Ela não soube e de repente, tudo se calou."
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"- Como é começar do zero? - Olhando dentro dos olhos dela ele perguntou.
- Não sei, acho que ainda não comecei, me ajuda? - Chorando ela pediu.
- Não posso. Faço parte do seu passado. Fiquei naquela praça, naqueles litros pela madrugada... É natural que eu vá embora, como aquelas pessoas foram. Recomeçar é se adaptar.
Ele se levantou, abriu a porta, deixou o Novo entrar e saiu sem dizer mais nada."
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"Quando amanheceu, ela olhava para a outra que estava sem roupa, se perguntando como tinham ido parar ali.
Deu um sorriso, um bom dia e nunca mais foi embora..."
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"Quando eles se conheceram...
- Quem é você? - Curioso ele perguntou, com um certo sorriso no rosto.
- Sou alguém feita de excessos, transbordando pelos cantos...
Ela dizia lentamente, enquanto enchia mais um copo e olhava o dia quase amanhecendo.
- Quer que eu te leve para casa?
- Minha casa é esse chão cheio de minério, com essas garrafas de vinho barato e esse trem no meio... - E languidamente apontou para aquele vagão que há anos não ruma para lugar nenhum..."
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"Depois de um litro de conhaque, sem roupa, ela perguntou:
- Posso subir no alto da sua caixa d'agua assim?"
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"- Você sempre fala pouco assim?
- Só quando estou sóbria.
- Quer tomar alguma coisa? Estou precisando conversar..."
domingo, 2 de maio de 2010
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